E, só!

15Nov10

Sublimes são as pessoas que, dão aquele sorriso seguido de uma bela gargalhada, quando os imprevistos as visitam. Quando o coração não aperta por causa de algumas palavrinhas de desordem que estão sendo pronunciadas. Quando as mãos não suam por causa de algum sentimento ruim. Quando a boca e as pernas não tremem com uma imensa vontade gritar: FODA-SE.

Ouço criaturas dizendo que gostariam de ser decifradas, de que aqueles que estão em sua vida, são obrigados a adivinhar os males que habitam dentro delas. Atualização já para o seu modo de ver as coisas. Não são os outros que tem que saber quem você é, e sim, você mesmo. Onde estão suas prioridades, suas idéias de valorização, seus conceitos mais cavernosos? Que mudanças estariam faltando para que, tudo que você pede ou até mesmo exige, venha a se tornar a mais pura verdade?

Dizem que somos capazes de coisas horríveis com o outro. Matar, roubar, difamar, induzir… tudo isso é cruel e fomos criados a pensar assim e a transformar essas palavrinhas em conceitos. Mas alguém já parou pra pensar no quanto praticamos isso todos os dias? Matamos alguém aos poucos com textos mirabolantes de críticas; roubamos a sua vida, sua personalidade, sua vaidade, sua rotina, seus hábitos; difamamos, quando ousamos rotulá-las; induzimos, quando a vida nos dá artimanhas de sermos convincentes com nossas próprias conclusões.

Não conseguiremos ser tudo que nos implantam durante os anos. Não conseguiremos ser alguém se não acreditarmos que poderemos. Não sairemos dessa quantidade de olhos atentos que estão prontos a filmarem um passo em falso. Os dedos serão apontados com unha feita ou não.

 Defeitos guardados. Virtudes apagadas.

 Acabamos com qualquer possibilidade de reconstrução.

 Acabamos com o convívio. E, Só!


Palmas…

27Jul10

Hoje, ao acordar, li uma crônica interessantíssima. Fala sobre ser feliz por nada. Nada? Sim, nada. Absolutamente nada que seja extremamente grandioso aos olhos alheios. Ser feliz apenas por ser. Sem entender? Eu explico. Quando abrimos o olho pela manhã, já deveríamos sentir felicidade por estarmos vivos, por começar um novo dia e por termos autoconfiança para acreditar que será belo, que nosso trabalho atrairá novas oportunidades. E no final do dia, sentir-se feliz por não ter magoado ninguém, ficar feliz porque estaremos em casa, que é o lugar mais acolhedor do mundo para o devido descanso.

Constatando que, existem pessoas em nossa rotina que não compartilham de nossa alegria. Incomoda porque, elas querem que façamos as coisas usando seus métodos. E quem disse que todos precisam trilhar o mesmo caminho para chegar a algum lugar?

A única ordem que a vida nos dá e que não tem saída é a de ser feliz sempre. A felicidade, pequena ou grande, isso não importa. Só você sabe a vivacidade de sua felicidade. Ela é só sua. E particularmente, adoro presenciar a dos outros. Admirável, são aquelas pessoas que sabem suavizar os contratempos diários, que sabem sorrir e agir ao invés de chorar e sentar, esperando soluções chegarem por sedex. Elas não virão, pode acreditar.

Aprende-se, que nas lutas da vida, temos que ter talento para suportar o inevitável e ainda, conseguir absorver o que há de melhor nas surpresas.

Uma salva de palmas para aqueles que não tornam seu dia, ou o de outros, uma guerra porque não conseguiu certas resoluções, que não tentou se matar porque falhou em algum momento, que não vai se enforcar com lenço de seda porque disse uma coisa e fez outra. Quem nunca fez?

Liberdade com você mesmo, sem a tendência que temos de ser  prudente sempre. De achar que nos conhecemos e que o mundo tem o dever de saber quem somos. Que temos a obrigação de dizer tudo certo, na hora certa e para a pessoa certa. Paranóia imposta por nós mesmos.

Ser o que somos e ponto. Imperfeitamente corretos, contraditórios e capazes de errar sem escrúpulos, sem auto flagelo, sem insônia causada pelos nervos que ficaram a flor da pele, depois de dizer alguma coisa que nem você acredita piamente.

E como diz Martha Medeiros, “benditos os que conseguem se deixar em paz.”

 

 


Calmamente olho ao meu redor. Pessoas estão ali, cheias de estilos e assuntos variados. Tenho vontade sorrir e abraçar todas elas. Reparo que, eu tenho um pouco de cada uma. Seja no cabelo, no esmalte ou no pequeno brinco que mal aparece em minha orelha cheia de furos. As identidades se misturam para que as conversas dupliquem o tempo de duração. Risadas ecoam pela sala.

E, de repente, sinto que as intimidades estão sendo expostas sem travas, ou falsos pudores. Eu assisto. A boca fica entreaberta com cada revelação. Abriu-se mais com o tempo de conversa. Algumas vezes fui interrogada com questões, um tanto- como posso dizer- particulares, e assim, me reservei o direito de manifestar apenas meu sorriso.

Somente quando estamos com os escolhidos é que sai leve e, quase involuntariamente, as palavras daqueles segredos mais ocultos da alma. Às vezes erramos com o escolhido. Agora é que vou entrar na questão, que, me assola.

Existem pessoas que, por mais amigas que pareçam, tendem a mostrar seu lado volúvel. Por maldade ou não, cometem infrações que poderiam causar danos irreparáveis.

(Só para constar, não sou o tipo de pessoa que acredito na ingenuidade depois de certa idade. Aprende-se durante os anos a diferença de pensar e agir por impulso pelo fato de não saber como fazer certas coisas)

Em tese, diz-se que não foi por querer- apesar de eu achar essa frase bem contraditória- falamos, pensamos, agimos por vontade e não por instinto. Somos humanos, certo? Se fosse um lindo cachorro, até haveria justificativa.

Seria mais um erro para a minha coleção, se eu dissesse agora, que a atitude não será repetida. Ela vai ser vivida novamente. Apenas, minha boca não ficará mais entreaberta, correndo perigo de deixar as palavras saírem e serem expostas.

Em boca fechada…


Infinitamente diferente. Muda-se qualquer aspecto da vida, diante da nova situação que se instala. Momentos de extrema felicidade, outros de total desconforto. Não falo de desconforto emocional, e sim, físico. Ai, que lindo. Mas desconfortável. Enjôos, ânsias, sono, preguiça, sensibilidade a flor da pele. Devidamente e felizmente grávida.

Sensação de mudanças físicas, mas de um poder incomensurável. Poder de gerar, de dar cor aos olhos, à pele, aos cabelos. Nariz arrebitado ou grande, cabelo liso ou ondulado. Dedinhos compridos ou pequenos e gordinhos. Bochechudo ou rostinho fino. Muitos detalhes feitos por nós. Temos o poder de fazer seres humanos, formar seu caráter, sua personalidade.

Fazer alguém pra ser seu.

Barriga para frente, roupas que não caberão nos próximos meses. Sem problemas. As formas estão mudando todos os dias, as sensações aumentando constantemente.

O amor tomando conta de nós, sem esforços, sem licença e sem impedimentos.

Agora só falta ouvir: MAMÃE.


E no meio de tantas coisas acontecendo, descobre-se a meta mais distante. Digo distante, num baú de projetos que temos, como prioridade. Aí, que vem a maior delas. Uma pessoa que não conheço, nem imagino como é sua fisionomia, sua voz, suas manias. Uma pessoa que certamente fará meu mundo girar mais rápido, o meu coração bater descompassado e angustiado. Tentará chamar minha atenção 24 horas. Transformará meus dias numa agitação constante, meus cabelos ficarão de pé, minhas unhas, talvez, sem serem feitas, meus olhos pequenos de sono e minhas olheiras gritantes. A comida esfriará esperando o momento de eu poder comê-la. Meu marido, se tornará quase um auxiliar nas tarefas diárias. Irei engordar, perder a silhueta, mãos e pés incharão, meu rosto ficará redondo, meu seio aumentará e não será mais meu. Os momentos de lazer que eu tinha, serão proporcionados em pracinhas, escolinhas e aniversários de amiguinhos. Finais de semana serão intermináveis horas que serei completamente de alguém.

Sentimento fulminante, insuportável, gigante, acolhedor, quente, incontável, inexplicável, absurdo, sufocante.

Nada agora é só meu.

Inimaginável o que estou vivendo nesse momento, o que deixei de pensar no instante em que descobri, que dentro de mim, existe alguém que eu fiz e que será chamado de MEU FILHO.


Acordei e dei de cara com alguém que eu não conhecia no espelho. Quis me apresentar, mas a pessoa olhou-me no olhos e disse: “não quero conhecê-la, você já prejudicou-me”. Um choque, momentâneo. Mesmo assim, levantei o queixo e enfrentei. Enfrentar o quê? O mais difícil, com certeza. O meu “eu” verdadeiro.

Preferi seguir em frente.

A conversa não fluia muito bem no começo. Aos poucos,  fui tentando justificar todas as atitudes que agrediram essa outra pessoa. Feria com minhas argumentações baratas, e de nada adiantava. Ela não convencia-se que eu poderia ajudá-la agora. Que as minhas palavras seriam para uma convivência melhor, para que possamos juntas, descobrir qualquer ação que nos leve a total liberdade. Achei,  que estava conseguindo. Ela balançou a cabeça negativamente.

Ficamos em silêncio por alguns instantes. Quando recordamos, a cumplicidade que tínhamos e que nossas vidas eram únicas, descobri o novo. O novo recomeço, as novas experiências que eu quero viver e que permitirei que entre de vez, ou não, na minha vida.  Que a distância de alguns, não seja o motivo de alguma derrota, que as descobertas sejam absorvidas pelos meus poros, e que minhas pernas continuem andando. Ela sorriu.

Cinco dias, cinco minutos, cinco meses ou cinco anos, não fazem diferença, pois eu vivi intensamente as cinco milhões de palavras que foram ditas.


Gruta…

10Abr10

Na medida em que sentimos, escrevemos ou até falamos aos amigos o que nos atormenta, nos damos conta que existem mais de uma versão, ou melhor, opinião sobre o mesmo assunto.

Mas quem está sentindo, ou está por sentir? Sabe-se lá, quantas vezes tentei renovar minhas emoções, quantas vezes tentei colocar um novo tempero na receita mais antiga. Senti que estava presa em uma gruta fria e escura. Sem saída.

Encontrei-me em algum lugar desacordada. Meus olhos abriram e meu coração gritou dizendo: “estou sentindo, estou sim!” E afinal, o que acontece? Nada. Nadinha que eu pudesse ter pensamentos rudes comigo mesma. Somente a sensação de que, tenho pernas para ficarem bambas com a possibilidade de uma chegada, que tenho mãos para suarem com o sussurrar de algumas palavras, que tenho braços para matar a vontade de pular e enlaçá-lo em mim. Que minha cabeça, está indevidamente fora do rumo, mas feliz.

Sei que levarei alguns dias, meses ou anos para me retratar com as minhas verdades. Mas estive ali, fiz o que pude e o que no momento desejava. Me retratei comigo.

Salvei-me.


Asa delta…

08Abr10

Consegue. Entre tudo que andava falhando, desligando sozinho, com algum curto, definitivamente reacendeu dentro de mim.

Parada em algum lugar, onde não se pode perpetuar qualquer devaneio, sinto calafrios. Meus olhos ficaram abertos sem a minha boca conseguir dizer nem um simples “oi”. Na tentativa de refazer meu corpo e minha cabeça, aprofundei-me ainda mais, na loucura do teu riso, nas travessuras de tuas palavras e na realidade. A mais pura realidade.

Desejei encontrar todas as sensações que julguei perdidas, que a gargalhada mais contida saísse por minha garganta. Desejei rever minhas emoções adormecidas e tornar minha vida imprudente, minha casa desarrumada, meu corpo afoito. E quase morri.

Estava diante dos meus olhos tudo que estava pedindo. A recíproca é verdadeira. Nem adiantava fugir, nem queria escapar. Minha boca estava seca pedindo que alguma coisa acontecesse de uma vez. Meus pés estavam direcionados aos seus movimentos, meus pensamentos mais ousados focaram em você. Sorriu.

Descobriu que podia fazer o que quisesse, que naquele instante era o que eu queria. Usou palavras sábias que incomodavam  minha rotina, que elevava-me  ao  mais alto plano. Eu quis.

Eu quero.


Calou-se

06Abr10

Imagino, ou suponho que muitas pessoas que estão lendo meus textos, devem estar se perguntando, o que está acontecendo com a minha vida. Pois, bem!

Nem eu sei.

Como já disse, meus pensamentos estão confusos e cheios de (?) que não cessam. E quanto mais penso, mais (?) aparecem.

Qualquer coisa que sinta agora, não explicaria nem na melhor argumentação, o que se passa com meu coração. Meu raciocínio deixou de ser lógico para se tornar fantasioso, iludido. E na medida do possível transcendeu.

 Permita-me sentir tudo isso. Deixe-me acreditar que as mãos vão estar entrelaçadas, segurando firme, causando um incrível suor sem a vontade de separar-se. Que os meus olhos não piscarão, que meu corpo amolecerá somente com um olhar. Que meu sorriso se dará, involuntariamente. Que baixarei minha cabeça, como que, tentando esconder o rubor. Que tudo voltará ao normal. Que nós seríamos, simplesmente,  nós.

E que, podemos. Que queremos.

 


Teoria…

06Abr10

Sinto e não sei o que é. Sei que minhas mãos ficam trêmulas, tentando apalpar minhas idéias. Resgato qualquer lembrança tosca, tentando juntar esse monte de peças. Não se encaixam. Tento novamente.

Meu coração dispara me pedindo mais. Olho para todos os lados e não encontro nenhuma porta. Pulo a janela. E que caminho seguirei? Confusão de pensamentos com sentimentos. Discutem, querem guerra. Estou no meio, sem ousar dizer uma palavra.

A culpa é de quem?

 Quem será o responsável por toda essa disputa? Não tenho respostas.

Só encontro agora um vazio, uma doença chamada tédio. Meus pés não caminham, não respondem aos meus comandos. Simplesmente cruzam-se.

Cãibra.

 

 




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